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30/05/2018

Secretário do MDIC confirma que Rota 2030 está praticamente pronto

Igor Calvet foi palestrante do 11º ENAFER, realizado em Caxias do Sul, com organização de Abinfer e Simplás

 

A avaliação jurídica de um dos artigos da medida provisória é o que falta para que o governo federal anuncie as bases finais do Programa Rota 2030, novo regime automotivo em substituição ao Inovar-Auto, que perdeu vigência em dezembro do ano passado. A informação foi transmitida por Igor Calvet, titular da Secretaria de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), aos mais de 300 participantes do 11º Encontro Nacional de Ferramentarias (ENAFER), realizado em Caxias do Sul, RS, nos dias 17 e 18 de maio. O evento teve a organização da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (ABINFER) e do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (SIMPLÁS).

 

De acordo com Calvet, o anúncio deve ocorrer ainda neste mês, consolidando processo iniciado em abril do ano passado após o governo brasileiro ter sido contestado na Organização Mundial do Comércio (OMC), por representações do Japão e da Alemanha, sob alegação de que o Inovar-Auto infringia normas internacionais, como a de fazer distinção entre produtos nacionais e importados. O secretário, no entanto, entende que o regime adotado em 2012 trouxe benefícios ao setor automotivo e à economia como um todo. Citou, por exemplo, os ganhos de 15% em eficiência nos veículos e redução nas emissões de CO², gerando economia próxima a R$ 7 bilhões por ano em combustíveis.

 

O secretário ressaltou que o Programa Rota 2030 é um modelo disciplinador do mercado e sintonizado com tendências tecnológicas mundiais, como compartilhamento de veículos, novas formas de propulsão e a condução autônoma. Dentre medidas a serem incorporadas estão a rotulagem veicular, que deve informar índices de eficiência e segurança. Ela será exigida de produtos nacionais e importados. “Todos os veículos precisarão ter padrões mínimos de segurança e eficiência similar à obtida no Inovar-Auto”, acrescentou. 

 

Para ter acesso ao novo regime automotivo, a empresa terá de fazer dispêndios em pesquisa e desenvolvimento. Parte destes investimentos poderá ser abatido de impostos federais. Na avaliação do secretário, este diferencial pode ser determinante no momento da decisão do investimento pela matriz da multinacional.

 

Calvet lembrou que o regime anterior beneficiava especialmente as montadoras. Já o Programa Rota 2030 será extensivo a toda a empresa que se habilitar, favorecendo a cadeia de forma ampla. “Soluções estratégicas serão contempladas com bônus. Uma destas soluções é o desenvolvimento de moldes e matrizes no Brasil, trazendo benefício direto às ferramentarias”, comentou. Ele assinalou que nenhum país será forte na produção de veículos se não tiver um complexo próprio de ferramentarias bem estruturadas. 

 

O secretário ainda anunciou decisão governamental de criar o observatório da indústria, envolvendo setor público, sociedade civil, trabalhadores e iniciativa privada. A medida integra o rol de reivindicações do setor ferramenteiro.

 

Oportunidades de mercado - A programação do 11º ENAFER incluiu palestra de José Antônio Zara, diretor de ferramentaria da General Motors do Brasil. Ele destacou que a China detém 37% do mercado mundial de ferramentais, seguida pelos Estados Unidos com 22%. O Brasil participa com menos de 1%. Na avaliação de Zara, existem no mercado local e no exterior oportunidades potenciais para as ferramentarias brasileiras.

 

Segundo ele, a indústria nacional responde por 52% da produção local de ferramentais, sendo oito por cento exportados. Portanto, apenas 44% das demandas das montadoras são atendidas por conteúdos brasileiros. O restante, 56%, vem do exterior. “Esta é uma oportunidade a ser explorada”, provocou.

 

Zara defendeu que é preciso investir em tecnologia, gestão e qualificação de pessoas de forma simultânea e destacou que a colaboração é essencial para superar as dificuldades. “É preciso ter clareza de que o ponto de saída da manufatura é a ferramentaria”, indicou.

 

Governança familiar – Diretor de operações da Schulz, Divisão Automotiva, empresa de Joinville, SC, Bruno Salmeron, palestrou sobre governança familiar. Segundo ele, que está escrevendo um livro sobre o tema, as famílias que detêm o comando das empresas erram na governança e na formação dos sucessores. “Este é o maior risco para a continuidade dos negócios”, registrou.

 

Salmeron citou estudo feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores com 100 empresas do setor que requereram recuperação judicial. Segundo ele, duas situações são comuns nestas organizações: a falta de planejamento estratégico e nenhuma tem governança, nem preparou a sucessão. 

 

Homenagens – Ao final da palestra motivacional de Marcio Mancio sobre o tema Tropa de elite: A força da sua empresa, a ABINFER e o SIMPLÁS prestaram homenagem, com entrega da medalha Herói Ferramenteiro, a três ferramenteiros que fazem parte da história do setor. Foram homenageados Renato Leonardelli, nascido em 1945; Alcides Bonezi, em 1940; e Salustiano Lima Machado, em 1936. 

 

Chamamento por maior participação

 

Em sua manifestação, na abertura do 11º ENAFER, o presidente da ABINFER, Christian Dihlmann, defendeu maior envolvimento do empresariado visando ao fortalecimento da entidade para que as demandas do setor sejam atendidas. Destacou a importância da articulação política junto aos poderes Executivo e Legislativo, bem como maior divulgação da indústria de ferramentais. “Somos desconhecidos porque somos negligentes em mostrar o que fazemos e representamos”, definiu. Uma das ações da ABINFER é trabalhar na criação de um núcleo de defesa do setor em Brasília, assim como já existe no segmento de máquinas por meio de uma Frente Parlamentar.

 

O presidente do SIMPLÁS, Jaime Lorandi, afirmou que os desafios continuarão sendo constantes, exigindo a busca permanente pela perfeição da qualidade. Citou que a consolidação da indústria 4.0 exigirá empenho ainda maior nesta direção. Argumentou que as ferramentarias terão de ser adaptar aos novos tempos, que não são do individualismo, mas do compartilhamento de conhecimentos com os concorrentes para acelerar a inovação. “É hora de quebrar paradigmas. Com o individualismo não se tem futuro”, alertou. Segundo ele, só por meio do associativismo e do conhecimento é que o setor se tornará competitivo.

 

A abertura do ENAFER ainda teve as presenças de Evandro Fontana, secretários de Desenvolvimento Econômico, como representante do governo do Estado, e de Emílio Andreazza, representando a Prefeitura de Caxias do Sul. A representação da Universidade de Caxias do Sul coube ao pró-reitor Juliano Gimenez. 

Fotos: Fábio Grison

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