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22/08/2019

Lourenço Stangherlin: obsessão pela inovação

Diretor da Anodilar Indústria de Utilidades Domésticas é um dos homenageados pelo Simplás com o Mérito Plástico Pietro Zanella

Integrante do grupo que participou da fundação do Simplás, Lourenço Stangherlin esteve perto de jamais chegar a conhecer o sindicato. O então jovem estudante veio para Caxias do Sul (RS) em 1976, despedindo-se de uma família de seis irmãos e quatro irmãs, a fim de cursar o ensino médio que não estava disponível na terra natal, Nova Pádua (RS). A etapa seguinte seria a faculdade de Administração de Empresas na Universidade de Caxias do Sul (UCS). E quase ficou só nos planos.

Aos 18 anos, Stangherlin conseguiu o primeiro emprego. Em uma metalúrgica. Até então, a ferramenta mais complexa – ou perigosa – que já conhecera era a enxada. Para trabalhar na roça, na agricultura familiar. O primeiro encontro com a indústria não foi nada auspicioso. Durante a operação de uma máquina, em um vacilo, acabou perdendo parte do dedo indicador da mão direita.

“Fiquei muito abalado. Queria largar tudo e voltar para Nova Pádua. Não queria mais saber de fábrica. Só continuei aqui porque minha mãe incentivou muito”, revela.

A decisão de insistir foi recompensada com uma oportunidade na Triches Ferro e Aço que se transformaria em 15 anos de experiência em vendas e um relacionamento que permanece firme até hoje, só que agora entre cliente e fornecedor. “Ali foi uma verdadeira escola de mercado. Ali conheci o mundo”, afirma.

Após uma primeira tentativa como livre empreendedor, desfez a sociedade e decidiu recomeçar tudo do zero. Surgia, assim, no ano 2000, a Anodilar Indústria de Utilidades Domésticas. O primeiro produto, até hoje no catálogo, foi um fechador de pratos descartáveis de alumínio. Anos mais tarde, já mergulhada em ideias e artigos de design avançado, a companhia evoluiria para a produção das charmosas embalagens de alimentação que os japoneses chamam de bentobox.

A nova empresa apostou em área comercial reforçada, investimentos em marketing, redes sociais e em atenção especial à assistência técnica. O catálogo que atualmente exibe cerca de 300 produtos foi cuidadosamente cultivado com iniciativas como o programa Ideias em Ação, que incentiva e remunera a criatividade dos funcionários, e o trabalho conjunto de um Comitê de Produto. A exigência é por itens inovadores, capazes de chamar atenção e agregar valor às expectativas do cliente.

“Sempre buscamos o diferente. Isso, aliás, é uma coisa que me incomoda: como empresários, não podemos ficar sempre fazendo as mesmas coisas e esperando resultados diferentes. Temos de ampliar nossa visão, nosso conhecimento, buscar novas referências, olhar o que o mundo está fazendo e enxergar a inovação. Temos de ser mais criativos e também ter a coragem de fazer as mudanças quando elas se tornam necessárias”, reflete.

E no caso de Stangherlin, as ideias não ficaram só no discurso. A primeira ousadia começou quando as duas filhas mais velhas praticamente se convidaram para entrar no negócio, então aos 14 anos. Foram contratadas a um salário de R$ 600. Hoje, ambas, Mariana e Gabriela, ocupam cargos diretivos e têm ampla autonomia para decisões e questionamentos ao fundador.

A segunda, possivelmente ainda maior, e impulsionada por elas, veio há alguns meses. Quando, de olho nas estratégias de expansão internacional, a Anodilar submeteu-se a um processo de rebranding. E tornou-se AND. Sob o guarda-chuva da nova marca estão as linhas PRO (de maquinário profissional), STANG (equipamentos de uso doméstico de alto padrão) e UG (Utilidades Gourmet). Hoje, conta com quadro de 84 colaboradores e produtos distribuídos para cerca de 6 mil clientes de 11 países nas Américas e Europa.

“O plano é crescer e estamos preparados para isso. Temos bons parceiros e a tendência é crescer muito”, projeta o empresário.

Lourenço Stangherlin, 60 anos, é casado com Ivete, 58, e pai de Mariana e Gabriela, 34, e Luciana, 27. Nesta sexta-feira (23), recebe do Simplás o Mérito Plástico Pietro Zanella 2019. O ensinamento às parceiras de negócio:

“Máquina se compra, se vende, se troca. Mas as pessoas têm que ser preparadas”.

 

Fotos: Jonas Rosa

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