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22/08/2019

Leocádio Nonemacher: excelência de classe mundial

Diretor da Sulbras Moldes e Plásticos é um dos homenageados pelo Simplás com o Mérito Plástico Pietro Zanella

Natural de Caxias do Sul (RS), filho de trabalhador da metalúrgica Eberle, Leocádio Nonemacher começou a trabalhar aos 14 anos, como office-boy da empresa Engemaq. A partir da oportunidade em escritório, o desejo inicial de cursar engenharia, que incluiu até um período de estudos no Senai, foi substituído pela graduação em Ciências Contábeis, com especialização em Gestão Financeira.

“Acabei fazendo o caminho inverso de muitos empresários da região: comecei pela administração financeira e depois fui para a fábrica. Costumo dizer que sou engenheiro por vocação e administrador por formação”, revela.

A primeira chance, após o serviço militar, foi concedida pelo empresário José Alceu Lorandi, na Indústria de Matrizes Belga. O movimento teria consequências profundas na carreira de Nonemacher. Em 1984, diante dos primeiros indícios da abertura do mercado nacional para bens de consumo, surgiram novas possibilidades para o setor de transformação. Foi a senha para a Sulbras Moldes e Plásticos, então uma divisão originada da necessidade de testes de injeção para os moldes da Belga, ganhar vida própria.

Nos anos seguintes, os negócios foram reestruturados. A empresa escolheu o caminho da prestação de serviços para produtos técnicos com desenvolvimento de ferramentaria própria, atuando desde a fase de concepção dos produtos, que mais tarde a levaria a níveis de excelência de classe mundial.

A década de 1990 trouxe o conceito de downsizing, com o fim da verticalização e o início da terceirização nos processos industriais. As grandes empresas passaram a se concentrar no chamado core business. Para quem soube aproveitar, o período significou forte crescimento comercial, com abertura de mercados e advento das certificações de qualidade.

“A Sulbras cresceu vocacionada para a subcontratação industrial. Hoje até importa e integra componentes, presta serviços de alta complexidade. Desde o início, sempre abraçamos os desafios apresentados pelos nossos clientes, porque os desafios geram conhecimento”, comenta Nonemacher.

O grande golpe veio com a perda do sócio Eloy Dannenhauer, falecido súbita e precocemente, no início dos anos 2000. Todo negócio teve de ser repensado. A competência da equipe bem treinada e o envolvimento dos filhos de Eloy, Rafael e Liciane, fizeram toda a diferença. A empresa deu uma guinada sem precedentes. Investiu em equipamento de primeira linha e apostou no desafio de operar em classe mundial. Deu certo: o mercado respondeu e surgiram novos projetos. Clientes praticamente exigiram a instalação de unidades em outras cidades e estados.

Pelo menos três diretrizes foram estabelecidas para o futuro do negócio: trabalho constante em novos desenvolvimentos, atenção permanente aos competidores externos e melhoramento contínuo para manter a competitividade – inclusive no exterior. Um exemplo do sucesso na aplicação das ideias é o desenvolvimento de fornecedores de componentes em Israel e na Alemanha, para a montagem no México, de um veículo vendido pela Chrysler nos Estados Unidos.

A Sulbras chega a 2019 com cinco unidades instaladas em Caxias do Sul (RS), Sapucaia do Sul (RS), Joinville (SC), Salto (SP) e Cabo de Santo Agostinho (PE) – esta última, um case de decisão tecnológica para atendimento de demandas específicas e de alta complexidade da FIAT, na linha de produção do Jeep. São aproximadamente 600 funcionários (metade deles na matriz, em Caxias do Sul) e mais de 70 máquinas injetoras distribuídos entre cada uma delas.

“Sempre procuramos desenvolver a equipe. É uma equipe que pensa diferente, mas age igual. O questionamento é muito importante, tem de haver sempre. E também é importante um pouco de descentralização”, avalia o empresário.

Aos 55 anos, Leocádio Nonemacher é casado com Gisela, 51, pai de Elisa, 20, e de Eduardo, 30. Nesta sexta-feira (23), recebe do Simplás o Mérito Plástico Pietro Zanella 2019. Um conselho que repete aos filhos?

“O sucesso do passado não garante o futuro”.

Foto: Jonas Rosa

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