Para a economia e os setores produtivos, 2009 começou em outubro último, quando ocorreu a internacionalização da crise financeira nascida no imbróglio das hipotecas imobiliárias e dos derivativos norte-americanos. O impacto ocorrido ao cabo do terceiro trimestre foi tão agudo e abrupto, que se torna impossível analisar sob os mesmos parâmetros a performance do nível de atividade nos 12 meses de 2008.
Para a indústria brasileira de transformação dos plásticos não foi diferente. Embora ainda não tenhamos os números definitivos, o seu desempenho foi bom nos três primeiros trimestres. No entanto, como todos os segmentos, a atividade sofreu os reflexos do crash mundial a partir de outubro. Esperamos que, doravante, as dificuldades sejam menores.
É oportuno reiterar, num momento de expectativa como o atual, a importância das entidades de classe na defesa, promoção e fortalecimento dos setores que representam. Nesse contexto, a Abiplast está mobilizada para ajudar a indústria do plástico a vencer as adversidades em 2009. Todas as iniciativas voltadas a estimular os negócios e ativar o mercado são ainda mais significativas em conjunturas de dificuldades. A despeito da turbulência mundial, acreditamos que a indústria de transformação do plástico tenha boas oportunidades de manter desempenho satisfatório.
Por outro lado, independentemente da crise internacional, o setor precisa enfrentar, em 2009, algumas questões estruturais, como a exagerada carga tributária e problemas do mercado interno, que interferem no seu equilíbrio. Prova disso encontra-se nos números de sua balança comercial no acumulado de janeiro a outubro de 2008: déficit de US$ 839,9 milhões equivalentes a 118 mil toneladas, um recorde desde o início da série histórica desse dado, em 1996. A marca é 58,15% maior do que a registrada em igual período de 2007 e supera o saldo negativo integral do último exercício (US$ 645,68 milhões), até então o maior. É importante entender que esse desequilíbrio, embora possa ser agravado pela tempestade financeira que acomete o mundo, não está relacionado á presente conjuntura global de dificuldades.
Artigo do Sr. Merheg Cachum | Presidente da Abiplast