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Crise não afeta onda dos plásticos verdes

Petroquímicas Braskem e Quattor desenvolvem produtos a partir de sistemas renováveis e menos poluentes

 

Nem a crise que assola a economia mundial fez com que as empresas petroquímicas brasileiras recuassem seus investimentos em plásticos verdes (produzidos a partir de matérias-primas renováveis). Uma das companhias que colocou a fabricação das resinas verdes como prioritárias foi a Braskem. A empresa pretende instalar no Pólo Petroquímico de Triunfo uma unidade para produzir até 200 mil toneladas ao ano de polietileno, usando como matéria-prima a cana-de-açúcar. O investimento na ação é estimado em R$ 400 milhões a R$ 500 milhões. O diretor do projeto de polímeros verdes da Braskem, Guilherme Guaragna, informa que, atualmente, a empresa discute o projeto básico de sua unidade de polietileno verde. A operação da planta deve iniciar no segundo semestre de 2010.

 

Guaragna também não se preocupa com o fato de uma eventual queda do preço do petróleo afetar a competitividade das resinas feitas a partir de insumos renováveis. "No caso do etanol, por exemplo, trata-se de uma matéria-prima que tem se desenvolvido satisfatoriamente, com um custo acessível" salienta o dirigente. O executivo argumenta que a busca por produtos renováveis aumenta constantemente no mundo. A Toyota do Japão já encomendou com a Braskem o fornecimento de 50 mil toneladas de polietileno verde ao ano. A entrega da resina será feita em 2011.

 

O plástico verde não é biodegradável e apresenta as mesmas características físicas da resina derivada do petróleo. A vantagem ecológica do produto está no período de crescimento da cana-de-açúcar ou de outro vegetal utilizado. Nesta etapa, a planta absorve gás carbônico da atmosfera. Cada tonelada de polietileno verde gerada, segundo Guaragna, propiciará a captura de 2,5 toneladas de CO2.

 

As dificuldades da economia também não afetaram o projeto da Dow e da Crystalsev. As empresas acertaram a criação de uma joint-venture para concretizar um pólo alcoolquímico integrado com escala industrial e produção inicial de 350 mil toneladas ao ano de polietileno produzido com etanol obtido a partir da cana-de-açúcar. Conforme a assessoria de imprensa da Dow, o projeto da joint-venture está correndo normalmente.

 

A companhia continua otimista em relação aos benefícios de longo prazo para o crescimento da Dow no Brasil com a iniciativa, bem como seu avanço no desenvolvimento de materiais renováveis e na área de bioenergia. A unidade de plásticos verde da Dow e da Crystalsev deverá ser instalada na região Sudeste do Brasil e iniciar as operações em 2011. Também na região Sudeste, o grupo Solvay pretende fabricar PVC a partir do etanol. A produção deve começar a partir de 2010.

 

Empresas buscam novas matérias-primas

 

Apesar de a cana-de-açúcar ser a matéria-prima mais procurada para a fabricação de plásticos verdes, as companhias petroquímicas buscam outras possibilidades para produzir essas resinas. No caso da Quattor, a empresa pretende gerar seu plástico verde a partir da glicerina, que é um subproduto da fabricação do biodiesel. A glicerina pode ser obtida a partir de qualquer oleaginosa, como mamona, canola, algodão e soja.

 

O gerente de tecnologia da Quattor, Pedro Geraldo Boscolo, revela que a companhia escolheu esta rota tecnológica de produção de propeno (que depois é usado para fazer polipropileno) com glicerina por se tratar de uma iniciativa inédita. Ele relata que o material já despertou interesse de fabricantes de peças plásticas destinadas a setores como: o automobilístico, de embalagens, de cosméticos, entre outros.

 

Em 2009, a Quattor construirá, no estado de São Paulo, uma planta-piloto com capacidade para produzir de cinco a dez quilos de propeno verde por hora. O planejamento da Quattor prevê operar a partir de 2012 uma unidade com escala industrial. A planta deverá ter capacidade para produzir de 50 mil a 100 mil toneladas de propeno, e por conseqüência de polipropileno verde, ao ano.

 

Cada litro de biodiesel pode propiciar 100ml de glicerina. Com o aumento da produção de biodiesel, a quantidade de glicerina que será gerada é muito maior do que a absorvida pelo mercado hoje, ou seja, se tornará um passivo ambiental. Boscolo destaca que o uso da glicerina na produção de resinas servirá para dar uma destinação adequada a esse material. A Quattor apresentou o Projeto do Propeno Verde na 1ª Exposição Internacional sobre Biocombustíveis realizada na semana passada, em São Paulo.

 

Dados dos Projetos

 

Investimento somados da Braskem, Solvay, Quattor, Dow e Crystalsev:

Cerca de US$ 1,3 bilhão

 

Capacidade de produção de resinas verdes:

De 720 mil toneladas a 770 mil toneladas anuais

 

Entrada em operações dos primeiros complexos em 2010

 

Fonte: Jornal do Comércio | 24/11/08

 


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