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Importações de plásticos disparam

Reajuste de 130% no preço de polietileno no mercado nacional obriga empresário a comprar mais insumo de outros países

 

       Apesar de demanda aquecida no mercado interno, as indústrias que utilizam o plástico como matéria-prima não estão satisfeitas com os custos de produção. O preço do polietileno, que é um dos produtos da cadeia, teve aumento de 130% somente no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, conforme informações obtidas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).

       Os aumentos são decorrentes dos constantes reajustes do preço do petróleo, além da desvalorização do dólar frente ao real. Com isso, a importação do produto no País teve aumento de 31,7% no primeiro semestre do ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar de não haver até o momento dados regionalizados da balança comercial em relação a este setor, boa parte da indústria está localizada em Paulínia, na Região Metropolitana de Campinas (RMC).

       “No entanto, fica claro, olhando alguns produtos, que a importação aqui na região desses produtos cresceu acima da média de crescimento da importação geral da RMC”, conta o professor Adauto Roberto Ribeiro, coordenador do Boletim Econômico, da PUC-Campinas.

        Neste ritmo de reajustes, as empresas que trabalham com a matéria-prima para o desenvolvimento de seus produtos é que buscam estratégias para não perder mercado e clientes. É o caso da Soproval, de Valinhos, que desenvolve embalagens sopradas – ou seja, peças que tenham como característica a estrutura oca. A empresa utiliza como matéria-prima o polietileno e o polipropileno, para os setores de alimentos, químico, de limpeza e defensivos agrícolas, além do automotivo.

        “Por enquanto estamos nos mantendo com o produto nacional, mas o mercado está muito agressivo nesse sentindo e em relação ao produto importado, que está custando de 5% a 8% menos que o produzido no Brasil.”, explica o diretor comercial da Soproval, Sérgio Monteiro, destacando que utiliza o produto produzido pela Petrobras e que o preço baixo do dólar não é suficiente para equilibrar os preços.

        Ele conta que por conta de um aumento de 27% somente nos últimos três meses, vêm perdendo vendas, “E,m julho, tivemos uma queda da ordem de 6% nos negócios. A explicação é uma só. Nosso custo final de produção teve aumento de pelo menos 15%. Não conseguimos passar tudo para os clientes e absorvemos parte destes custos , repassando apenas 8% ao preço final. Mesmo assim houve uma queda na demanda”, lamenta.

        Para Monteiro, o repasse do reajuste da indústria petroquímica para os clientes que utilizam a matéria-prima é sempre menos traumática do que o repasse destas indústrias para o mercado consumidor.

       “Nós estávamos acreditando mais no mercado, que vinha com bons resultados. E o resultado da própria Soproval também estava positivo. Tanto que a cinco meses inauguramos uma fábrica nova, quatro vezes maior que a anterior. Mas agora estamos vendo que está tudo devagar e fora do que esperamos.”

        Para o professor da PUC-Campinas, este cenário de aumento das importações no setor plástico já era esperado, pois o consumo interno destes produtos cresceu significativamente, sendo então abastecido pelo aumento de importações. “Principalmente em função do preço do produto ficar mais baixo pela desvalorização do dólar frente ao real. Neste ambiente a indústria brasileira precisa investir para aumentar a produção local, mas aí vem as questões de custos internos mais altos, com destaque para os juros e do câmbio desfavorável ao produto local e favorável ao concorrente importado”, ressalta.

         Ribeiro diz concordar com os produtores no que diz respeito à difícil situação em relação ao câmbio, juros e alta carga tributária no Brasil. “Somente uma política de incentivos com alguns benefícios para o setor investir, aumentar a produção e conseguir concorrer com os importados em outras condições. No entanto, não vejo medidas no curto prazo e parece que o setor vai ter que suportar este período de maior concorrência com bens importados”, fala lembrando que a importação destes bens também contribui para segurar a inflação que é a meta prioritária do governo.

 

Fonte: Correio Popular - Campinas


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