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05/07/2017

Simplás apresenta case de tecnologia brasileira na Estação Espacial Internacional

Contrato de pesquisa entre sindicato e Universidade de Caxias do Sul também foi revelado em Reunião-Jantar da entidade

Uma tecnologia brasileira – e renovável – que já está sendo utilizada na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) surpreendeu a plateia de aproximadamente 200 pessoas que, para conhecer a Indústria do Plástico do Futuro, prestigiou, na noite de 26 de junho, a Reunião-Jantar do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás). A novidade, parte de uma série de ideias de altíssima tecnologia que devem alterar profundamente o setor em pouco tempo, foi apresentada pelo engenheiro de inovação da Braskem Everton Simões Van Dal.

O público da Reunião-Jantar do Simplás conheceu o programa de impressão 3D com o chamado polietileno verde, desenvolvido e produzido pela Braskem a partir de fontes renováveis, como a cana-de-açúcar, em plena Estação Espacial Internacional. A tecnologia permite aos astronautas produzir ferramentas e peças de manutenção da base e demais equipamentos na órbita planetária que, anteriormente, só poderiam ser enviadas da Terra com custos, riscos e demanda de tempo em escala astronômica.

“Isso só se tornou possível porque, na Braskem, utilizamos um modelo de inovação aberta. Ou seja, todas as informações e rupturas são compartilhadas, atuando em parceria com universidades, institutos tecnológicos, startups e também por meio do próprio laboratório da empresa. Este modelo nos permite avançar rápido, mas com os pés no chão”, explicou Van Dal.

O palestrante ainda detalhou aos participantes do encontro três das principais tendências de tecnologia – que já foram de borda, e hoje já configuram realidade – para o setor. A internet das coisas, que espalhará sensores por todo tipo de produtos, máquinas e equipamentos, atingindo um mercado de meio trilhão de dólares em 2020; a impressão 3D, que deve pulverizar as possibilidades de personalização de produtos, ferramentas e até moldes de alta complexidade, com diversos canais de resfriamento, formando um mercado que deve quintuplicar de tamanho até 2021; e a biologia sintética, que permitirá “editar” o DNA de leveduras da cana-de-açúcar para, por exemplo, produzir determinado tipo de isômero, extrair CO2 da atmosfera e fixar na forma de plástico, transformando o Brasil no que o engenheiro chamou de “Arábia Saudita da biomassa”.

“Os computadores ficaram 100 bilhões de vezes melhores em 40 anos. A câmera digital ficou um bilhão de vezes melhor em 38 anos. O celular põe na nossa mão, hoje, mais tecnologia do que a NASA possuía quando mandou o homem pra Lua. Estamos falando de evolução exponencial. Os avanços acontecem em escala gigantesca e de modo pouco intuitivo. É extremamente difícil de se prever o futuro. Mas algumas coisas já estão na nossa porta”, comentou Van Dal.

 

Educação universal para reciclagem de plásticos

Na mesma Reunião-Jantar, o presidente do Simplás, Jaime Lorandi, revelou que o sindicato já fechou contrato com a Universidade de Caxias do Sul (UCS) para elaboração de uma extensa pesquisa mundial em torno das aplicações e benefícios dos materiais plásticos para a humanidade e seu impacto direto na melhoria da qualidade e da expectativa de vida da população de todo o planeta. Em especial, aquela de menor capacidade de renda.

A iniciativa faz parte da agenda de articulação internacional do setor plástico deflagrada pelo Simplás e que atualmente já conta com apoios da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Associação Latino-americana da Indústria Plástica (Aliplast), Associação Europeia de Fabricantes de Máquinas para Plástico e Borracha (Euromap), Conselho Mundial dos Plásticos (World Plastics Council) e Cúpula Global dos Plásticos (Global Plastics Summit) – estes duas últimas adesões, articuladas diretamente pela Braskem, a partir de encontro de Lorandi com o presidente da maior petroquímica das Américas, Fernando Musa, em maio.

“O início desta articulação foi pelo Vaticano, mas, na realidade, buscamos unir todas as lideranças mundiais do setor de polímeros e petroquímica para elaborar um projeto de educação universal para destinação de resíduos plásticos para reciclagem. Quem sabe, até, a destinação correta de plásticos se torne disciplina obrigatória nas escolas de ensino fundamental de todo o planeta”, ponderou Lorandi.

O presidente do Simplás também referiu ao projeto Plástico do Bem, atualmente em fase de captação de recursos e com largada prevista para setembro, no município de Farroupilha, na Serra Gaúcha.

“Vamos educar crianças a destinar corretamente o resíduo plástico e levar para a escola, onde ele será vendido para empresas recicladoras e as instituições de ensino poderão obter uma renda extra com a reciclagem, para destinarem da forma que considerarem mais adequada. As crianças vão educar os adultos para reciclagem, porque as gerações mais velhas, como a nossa, infelizmente, não aprenderam”, observou o dirigente.

A análise de mercado divulgada pela Abiplast também mereceu considerações. O estudo indica crescimento no mercado do plástico de 2% de janeiro a abril deste ano, na comparação com o mesmo período em 2016.

“Já temos a visão de que haverá uma melhoria não tão significativa no fim do ano. Alguns acreditam que o setor plástico crescerá, na média, acima do PIB. Agora, segue necessário buscar sempre algo novo, reduzir os custos, profissionalizar cada vez mais. Porque, de plástico, todos precisam. E o mercado, em algum momento, voltará a responder”, concluiu Lorandi.

 

Fotos: Neli Alvanoz

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